AS COLECÇÕES

O núcleo de mobiliário português apesar de compreender peças datáveis de entre os séculos XVII e XIX, demonstra a preferência do coleccionador Anastácio Gonçalves pelas obras da época de D. José e de D. Maria I.
De entre as obras apresentadas, destaque para os móveis de assento através dos quais se pode conhecer a sua evolução, as suas características específicas na individualização do gosto e sensibilidades nacionais. São exemplos de como a partir de modelos franceses e ingleses, da herança estética portuguesa, da versatilidade da madeira utilizada, o pau-santo, e da perícia dos nossos marceneiros esta tipologia se vai alterando desde os exemplares da 2ª metade do século XVII até aos exemplares dos ambientes burgueses do século XIX.
A influência dos modelos europeus e a divulgação da gramática decorativa rocaille transporta-nos para meados do século XVIII onde o trabalho de talha realçada com dourados ou aproveitando as tonalidades contrastantes do claro-escuro da madeira de pau-santo. Também neste período se diversificam as tipologias do mobiliário no interior das habitações, tais como as mesas de encostar, as secretárias, as papeleiras, as cómodas ou os canapés comprovadas nesta mesma colecção. Este século finaliza, contudo, com novas propostas estilísticas sentidas no progressivo esbatimento das formas sólidas e a divulgação de soluções mais frágeis e menos volumosas como são as decorações de perlados, laços de fitas, festões de flores entre outros motivos de inspiração clássica. Associadas a este gosto vão sendo substituídas as anteriores madeiras escuras por outras de tonalidades mais claras mais de acordo com as leves decorações dos interiores. Estas características estão presentes na feminilidade do mobiliário da época de D. Maria I da colecção.
As obras provenientes do século XIX deixam-nos verificar que a importação de peças ou a reprodução de modelos estrangeiros, faz decair a produção nacional de peças com especificidades próprias.
Os exemplares provenientes do estrangeiro apresentam nesta colecção uma significativa importância. Expõem-se peças de origem francesa, inglesa, holandesa, espanhola e mesmo chinesa dos séculos XVII e XIX com as suas particularidades funcionais e decorativas.

Colecção de Pintura

A colecção de pintura portuguesa reunida pelo Dr. Anastácio Gonçalves compreende óleos, aguarelas e desenhos dos séculos XIX e XX num percurso pela temática da paisagem, do retrato e da pintura de costumes.
Inicia-se com o núcleo do Romantismo com diversos pintores de referência, verdadeiros marcos da história da pintura nacional, tais como Tomás da Anunciação, Vieira Portuense, Miguel A. Lupi e Alfredo Keil. Contudo, a sensibilidade e os pressupostos estéticos vão-se transformando a partir de meados do século XIX e novas experiências se vislumbram em redor de dois pintores Marques de Oliveira e Silva Porto no anúncio do Naturalismo. A presente colecção tem um importante núcleo de obras de Silva Porto, adquiridas pelo Dr. Anastácio Gonçalves, e actualmente expostas no atelier da Casa-Museu.
Neste percurso de meio século, a pintura portuguesa reclama para si o registo directo do motivo ao ar-livre e revela, simultaneamente, o gosto pela paisagem rural e pelas cenas de interiores urbanos representados nesta colecção tanto pela luminosidade de Malhoa ou de João Vaz como pelo intimismo de Columbano.
A valorização da observação da realidade abre igualmente novos desafios à aguarela na sua capacidade em fixar rapidamente o real como deixam perceber algumas das obras expostas e pertencentes à colecção.
Com a viragem para o século XX, a estética naturalista, agora numa expressão Tardo-Naturalista, segue o seu percurso destacado, na presente colecção, em obras de diversos paisagistas, entre os quais se nomeia o pintor Mário Augusto. No núcleo de desenho, a obra gráfica apresentada situa-se cronologicamente no mesmo período, excepção feita a um trabalho de Vieira Lusitano de temática religiosa.
De entre todo o conjunto, evidenciam-se pela importância dos seus autores e qualidade dos desenhos os exemplares de Domingos Sequeira e de Columbano.
A coerência deste núcleo é dada pelo gosto do coleccionador que se revelou como eixo regulador da individualidade do tema nas suas diversas formas conceptuais.

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Colecção de Porcelana

A colecção de porcelana da China de 379 peças é, na sua maioria, datável de entre os séculos XVI e finais do XVIII, correspondendo a exemplares provenientes do comércio de porcelana chinesa de exportação. De período anterior existem duas taças, uma Cizhou e outra qingbai datáveis do século XII, Dinastia Song (960-1279), de grande importância artística.
O núcleo principal inicia-se com peças da dinastia Ming (1368-1644) através dum importante grupo de porcelana azul e branca decorada com motivos populares da gramática decorativa chinesa – enrolamentos de flores de lótus e peónias, gamos, dragões, fénix, leões e paisagens – representados em pratos, taças e garrafas datáveis do século XVI correspondendo ao período de domínio português nos mares do Oriente. Existe ainda um pote pintado com o tema das crianças brincando com a marca imperial do imperador Jiajing (1522-1566).
Ainda da dinastia Ming, mas do período de Wanli (1573-1619), a colecção guarda exemplares de importante referência, destacando-se a garrafa, uma encomenda especificamente europeia, com as armas de Filipe II de Espanha, monarca que reinou em Portugal entre 1580 e 1598. Surge-nos, ainda, o grupo Kraakporselein, denominação adoptada pelos holandeses por estas serem porcelanas originalmente transportadas nas carracas portuguesas, com exemplares importantes pela sua mestria e originalidade.
Um outro núcleo significativo da colecção, correspondendo ao período de Transição (1620-1683), é caracterizado tanto por porcelana azul e branca, destacando-se o pote com o emblema religioso dos Jesuítas – “I.H.S.”, com cruz partindo do traço do “H” e três cravos, rodeado por estilização de sol – e as iniciais “S. P.” do Colégio de S. Paulo, como por peças com decoração polícroma como é o caso do grupo Wucai, ou “cinco cores” que se impõe pela especificidade da sua decoração: cenas inspiradas no Panteão Taoísta, lendas e romances, senhoras tomando conta de crianças, etc.
Surgem-nos, depois, exemplares da dinastia Qing (1644-1911) com peças do grupo de “família verde” “família rosa” e “azul soprado” assim como um interessante serviço de jantar, datável do reinado Qianlong, com decoração de motivos vegetalistas. Destaque, ainda, para outras peças produzidas para o mercado tailandês e um conjunto de figuras de aves e animais, inspirados em exemplares de produção europeia.
Na sua colecção de porcelana chinesa, contrariando a preferência dos coleccionadores portugueses por peças decoradas com brasões ou temas ao gosto europeu, o Dr. Anastácio Gonçalves preferiu sempre as peças de exportação das épocas mais recuadas do comércio com Portugal.